naSala

CENA 1:

Me lembro do murmurinho inaugural de uma tal boate naSala, uma dificuldade de conseguir convites. Marcelo Marent alvoroçado com a festa de seus queridos desde a parceria no Club MTV, os irmãos Carneiro. Preocupadíssimo com a produção dele e de sua Puca, que claro, tinham que chegar arrasando… Até então, a naSala era isso pra mim. Uma coisa fora do meu conceito e da minha realidade, e que eu não entendia ao certo o porque do alvoroço…

CENA 2:

Nem me lembro como ou através de quem , fui parar na festa de 1 ano.Não conhecia quase ninguém, me lembro de ficar sentada num dos lounges observando aquela novidade. Acostumada com a cena underground, que era o que reinava absoluto na época, nas festas mega produzidas nos frigoríficos, galpões e afins, eu não entendia ao certo, como uma lugarzinho tão ‘’simples’’ causava tanto reboliço… Mas sei que mesmo assim, me diverti à beça.

CENA 3:

Alguns anos se passaram, e eu fui lá pouquíssimas vezes, mas já tinha aprendido com o decorrer do tempo que aquela tal simplicidade, na verdade era finesse. O ‘menos’ é mais sofisticado. Com esse passar do tempo, descobri também o agrado que é estar num ambiente bem estruturado e com o atendimento merecido. Pelas mãos de Tatiana Gontijo, e através do Marcelo também, já tinha iniciado as experiências com um público que, mais tarde, faria parte do meu cotidiano e da minha história. Foi numa festa da própria Tati, no Alegria, ao entardecer, que ouvi pela primeira vez If I Ever Feel Better, meio à gritaria de quem já era freqüentador. Naquele momento eu entendi que era um hit, de um lugar e de uma coisa que acontecia paralela a tudo o que eu freqüentava ou sabia. Mas pronto, foi o que bastou para que eu me apaixonasse. Engraçado que a paixão surgiu fora né? Mas foi de dentro.

CENA 4:

Por alguns meses em 2003 eu fui garçonete num restaurante lá na entrada do Morro, ia pra lá de quinta a sábado. Era um lugar delicioso, pouco e bem freqüentado. Foi onde aprimorei a técnica do bom atendimento, independente do cargo que você ocupa. Mas a memória mais marcante dessa época, era a volta pra casa de madrugada, descendo a BR e olhando aquela janelinha piscar. Imaginava o que se passava ali dentro… Mas acabei priorizando o namoro e camuflando a vontade. Aí o namoro acabou, nas vésperas da festa de 4 anos. Não fui. Não me lembro o porque. Mas tudo a seu tempo, muita água ainda iria rolar…

CENA 5:

Numa ‘gig’ de ajudante de fotógrafa, na festa de 25 do BH Shopping, em tempos de Café Tina ainda, me deparo com a Kiki, que me pergunta se estou disposta a conversar sobre a possibilidade de trabalhar nos finais de semana. Onde? Lá mesmo…

Conversei, com a Tati (Cerqueira), depois com o Bruno (Carneiro). E cá estou eu, há um ano já, recebendo vocês. Mesmo que nem sempre todos consigam entrar, a minha função é receber, explicar, atender. É stressante sim, as vezes, e tem dias que me questiono muito em relação a essa função, mas verdade seja dita: trabalho em um dos estabelecimentos mais bacanas da minha cidade, com uma equipe que admiro e adoro (da faxina ao escritório), com um Dj incrível (Válber, amigo recente que eu simplesmente venero), na melhor estrutura e que produz as festas mais lindas que já vi na vida. Aqui, aprendo lições preciosas a cada dia. Sei que nada é perfeito: tem interesse sim, inveja, cobiça, fofoca, como todos os outros lugares e tribos, mas o que sobressái são os excelentes profissionais com quem tenho a honra de trabalhar e orar de mão dada todo dia antes da casa abrir. E aproveitar a noite quando a hora de divertir chega…

CENA 6:

Eu, Sininho, 5 anos depois de escrever isso, achei largado numa limpeza de gavetas. Realmente, muita água rolou. As lições que aprendi naquela faculdade me são válidas, e muito, até hoje. Mesmo que o cargo tenha mudado mais uma vez, que é o caminho que a minha vida me leva mesmo que eu não sente pra planejar essas mudanças. Alguns conceitos mudaram ao longo dos anos, mas o básico e importante está escrito aqui. Achei tão legal ter resgatado isso, que resolvi postar, em homenagem a tudo o que ter trabalhado lá me proporcionou. E amanhã eu volto, mas dessa vez é pra cabine, e não pra porta!! Amém…

E que venha a Cena 7!!!! Hahahaha

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O melhor está por vir…

Há tempos venho fazendo a preparação psicológica para a tal limpeza do guarda-roupas. Hoje comecei a etapa sapatos. Foram uns 30 pares… Velhos, gastos, mas cada um com a sua memória. Bom e ruim ir lembrando das épocas de cada um… E resolver dasfazer dessas memórias, confesso que foi uma espécie de terapia.

Aí, conversando com a grande amiga Fê sobre isso, surgiu o assunto dos 7 anos. Explico: Alguém lhe disse certa vez, que de 7 em 7 anos, passamos por grandes mudanças. De gosto, sentimento, vontade… Parei para analisar e surpresa! Realmente fazem 7 anos agora, desde a minha outra grande mudança no guarda roupas. Foi a época da Colcci, tudo justinho. As blusas, que são a próxima etapa da limpeza, ainda estão novas, lindas, mas não ‘cabem’ mais. Agora gosto de tudo largo, solto, maior… Quero parar pra entender até que ponto isso se extende à outros aspectos.

Mas o importante foi notar isso. A enorme mudança de comportamento de 7 anos pra cá. A evolução, arrisco dizer, que de tudo, na minha vida. Há 7 anos atrás era uma urgência pra tudo e com todos. E as dores eram mais sofridas, mais demoradas… Até a esperança, antes era mais digna. Agora, anda mais ‘’surrada’’. Acho que o caminho natural do mundo e de muita coisa nele vai deixando a gente menos crente, mais endurecido, mais cru. Uma pena, mas é verdade…

Os círculos de amizade vão se fechando, embora o meio social só venha aumentando. A vida vai levando a gente pra mais longe de muita gente querida, mas é isso mesmo. Cada um vai fazendo seu ninho, sua teia, e vai ficando difícil manter contato da maneira que sempre foi, mesmo que no nosso coração elas permaneçam com seus lugares guardadinhos.

Não querendo desmerecer nenhuma dessas amizades que hoje ficaram ‘’pra lá’’, são como esses sapatos e roupas (e falo assim pois sapatos e roupas falam e sempre falaram muito sobre quem eu sou e como quero que o mundo me perceba, rs): Cada um teve seu momento de grandeza e espaço na minha vida, e com certeza sempre trarão lembranças maravilhosas. Mas são marcos de uma época diferente, que de repente não me ‘’cabem’’ mais. E há que abrir espaço pro que vem por aí. Pois como diz um dos maridos, O MELHOR ESTÁ POR VIR…

Uma grande lição!

Eu nunca postei texto de outras pessoas, e até já tinha um pronto separado pra vir pra cá. Mas recebi isso hoje por e-mail e achei fantástico! Deu vontade de compartilhar, principalmente, porque acredito que a religião realmente separe mais do que una, uma vez que as pessoas não sabem usá-la de acordo com a vontade de Deus (independente de qual deus seja esse que elas venerem…) :

”No episódio envolvendo os jogadores do Santos numa visita ao Lar Espírita Mensageiros da Luz, que cuida de crianças com paralisia cerebral para entregar ovos de Páscoa, uma parte dos atletas, entre eles, Robinho, Neymar, Ganso e Fabio Costa, se recusou a entrar na entidade e preferiu ficar dentro do ônibus do clube, sob a alegação que são evangélicos e não sabiam que se tratava de uma casa espírita.

Os meninos da Vila pisaram na bola. Mas prefiro sair em sua defesa. Eles não erraram sozinhos. Fizeram a cabeça deles. O mundo religioso é mestre em fazer a cabeça dos outros. Por isso cada vez mais me convenço que o Cristianismo implica a superação da religião, e cada vez mais me dedico a pensar nas categorias da espiritualidade, em detrimento das categorias da religião.

religião está baseada nos ritos, dogmas e credos, tabus e códigos morais de cada tradição de fé.

espiritualidade está fundamentada nos conteúdos universais de todas e cada uma das tradições de fé.

Quando você começa a discutir quem vai para céu e quem vai para o inferno, ou se Deus é a favor ou contra à prática do homossexualismo, ou mesmo se você tem que subir uma escada de joelhos ou dar o dízimo na igreja para alcançar o favor de Deus, você está discutindo religião. Quando você começa a discutir se o correto é a reencarnação ou a ressurreição, a teoria de Darwin ou a narrativa do Gênesis, e se o livro certo é a Bíblia ou o Corão, você está discutindo religião. Quando você fica perguntando se a instituição social é espírita kardecista, evangélica, ou católica, você está discutindo religião.

O problema é que toda vez que você discute religião você afasta as pessoas umas das outras, promove o sectarismo e a intolerância. A religião coloca de um lado os adoradores de Allá, de outro os adoradores de Yahweh, e de outro os adoradores de Jesus. Isso sem falar nos adoradores de Shiva, de Krishna e devotos do Buda, e por aí vai. E cada grupo de adoradores deseja a extinção dos outros, ou pela conversão à sua religião, o que faz com que os outros deixam de existir enquanto outros e se tornem iguais a nós, ou pelo extermínio através do assassinato em nome de Deus, ou melhor, em nome de um deus, com d minúsculo, isto é, um ídolo que pretende se passar por Deus.

Mas quando você concentra sua atenção e ação, sua práxis, em valores como reconciliação, perdão, misericórdia, compaixão, solidariedade, amor e caridade, você está no horizonte da espiritualidade, comum a todas as tradições religiosas.

E quando você está com o coração cheio de espiritualidade, e não de religião, você promove a justiça e a paz. Os valores espirituais agregam pessoas, aproxima os diferentes, faz com que os discordantes no mundo das crenças se deem as mãos no mundo da busca de superação do sofrimento humano, que a todos nós humilha e iguala, independentemente de raça, gênero, e inclusive religião.

Em síntese, quando você vive no mundo da religião, você fica no ônibus. Quando você vive no mundo da espiritualidade que a sua religião ensina – ou pelo menos deveria ensinar, você desce do ônibus e dá um ovo de páscoa para uma criança que sofre a tragédia e miséria de uma paralisia cerebral.”

Ed. René Kivitz, cristão, pastor evangélico.