Vestidos de Noiva

Fernandinha Mello escreveu um texto ótimo, que li essa semana, falando da nossa dificuldade em escolher a ‘música’ certa pro casamento. Me fez refletir demais… Sobre como podemos ser tão parecidas e ao mesmo tempo tão diferentes, as mulheres.

Lembro que na escolinha, meu amado e saudoso Balão Vermelho, eu desenhava vestidos de noiva. Todos os dias. Era uma competição, entre eu e uma coleguinha, Carol. Os melhores desenhos da sala eram os nossos, e a rivalidade aparecia todo dia no final da aula. Não lembro quem ganhou mais vezes. Não guardei nenhum dos desenhos, mas me lembro deles certinho, aqui na cabeça. Aí vinham as professoras e/ou mães, curiosas e admiradas, elogiar. E a pergunta fatídica: é o seu vestido de noiva? A resposta vinha cheia de si: Não, eu não vou casar, vou ser estilista, esse é um dos que vou fazer. Agora deu pra entender né?

Eu não tinha concepção nenhuma, e muito menos idade pra isso, do que era relacionamento ainda. E nem da maravilha ou suplício que um casamento pode ser, mas já não me agradava a idéia mesmo. Sem o papo de que essa minha ‘falta de vontade’ venha das decepções pessoais e familiares. Tem menina que não quer, simples assim.

Sempre fui uma criança independente, já ia pro fogão novinha fazer os bolos de aniversário das bonecas. E fazia bem viu? Sempre gostei de arrumar casa, fazer comidinha, imaginar minha vida adulta. Mas nunca escolhi nome de filho e muito menos idealizei um marido.

Admito que claro, às vezes me passa a idéia sim pela cabeça, de morar junto, um dia desses, com um desses aí… Já até escrevi sobre isso aqui no blog. Mas esse sonho fantasioso, de igreja, flores, véu e grinalda, lua de mel, não. Admiro quem o tenha, torço pras amigas que buscam ou alcançam isso, choro quando vou a uma despedida de solteira, ou vejo alguma delas no altar. É bonito sim, pra quem crê nisso tudo.

Mas sou diferente mesmo. Oposta. Gosto de dormir de dia, viver a noite. Como muito no horário que ‘não deveria’. Adoro os meus pais separados. Cachorro não me comove. A Copa me irrita. Não gosto de conversar no telefone. Vou tentando descobrir a linha em que seja possível trabalhar minhas crenças com a realidade, principalmente se ela envolve mais um. Respeito quem eu gosto. Me esforço pra entender o motivo da pessoa não conseguir me suprir onde há carência, e não cobrar nada muito além do que ela não seja capaz de me dar. Mas o problema real e presente, é que nessa busca, sempre acabo voltando pra mim mesma… Só que agora, ao  invés de desenhar vestidos, tenho escrito textos.

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4 Respostas para “Vestidos de Noiva

  1. Ah murri que você comentou lá no meu blog. Te “sigo” caladinha há tempos. Seus textos estão entre os meus favoritos.Sou e me identifico com quem não se esconde. Mesmo atrás de um personagem, somos.Sou over em tudo. Mão grande, falo exageradamente, não faço graça pra quem não merece,faço drama, sei ser bem mulherzinha também, não permito na minha intimidade quem não vai somar. Arrogância? Não, escolha. Sorte a nossa que aprendemos que não podemos nos esconder da vida. Se ainda não encontrei a música do meu casamento, quem vai tocar eu já escolhi! Viva você. Sou sua fã!

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