Controle Remoto

Meu controle remoto do decodificador da TV à cabo parou de funcionar. Isso quer dizer, que eu agora, preciso levantar da coberta, e sentada ou inclinada pra fora da cama, busco no dedinho o programa escolhido para assistir. Ao invés daquela zapeada frenética e tipicamente masculina que costumo dar, acompanhando a programação de 3, 4, 5 ou as vezes até mais canais ao mesmo tempo.

As vezes passam 3 filmes que adoro ao mesmo tempo, hora seriados. Ou num canal é um documentário bacana, no outro as notícias. E sigo, assistindo tudo pelas metades. Perdendo  pedaços importantes, diálogos essenciais, informações preciosas sobre assuntos que prezo.

Essa semana, devido a um certo desregulo no já de praxe horário bagunçado de dormir (tem sido sono às 10, 11h da manhã e despertar por volta das 18h), o programa escolhido da manhã são os Jornais. Tenho me sentido menos ‘desperdiçada’, porque acompanho o que se passa pelo mundo, no meu país, na minha cidade, invés de perder tempo com um monte de episódios ou filmes que já cansei de ver, salvo raras exceções, já que na programação da TV, assim como na vida real, a repetição de cenas é infinda.

E não consigo escapar de mais uma de minhas analogias. Até certamente qual ponto, essa repetição é culpa nossa? E agora vou comparar a tão já decorada programação e falta de experiências novas com a nossa vida amorosa.

Eu zapeio muito, porque tem sempre aquela possibilidade na cabeça de estar perdendo talvez algo melhor em um outro canal. Ai negligencio programas que as vezes me ensinariam ou privilegiariam mais. Trariam mais conteúdo. Mas acabo me perdendo na bobajada que parece mais ‘divertida’. A falta do controle remoto me força a insistir um pouquinho mais em assuntos que nem sempre são tão legais, mas que me fazem pensar mais, refletir melhor, concluir sobre fatos mais dignos.

Quisera eu que essa insistência se estendesse mais à vida real. Tanto minha, quanto na dos outros. Quantas inimagináveis experiências novas e talvez realmente mais satisfatórias nós todos não devemos perder nessa vida, por culpa dessa sensação de possível perda por não estarmos vivendo vários momentos aleatórios e passageiros? E se nos empenhássemos um pouco mais em segurar o dedo e dar chance àquilo que primeiramente não julgamos tão melhor, mas que na verdade pode ser o começo de uma salvação?

Olha, dá até um trabalhinho a mais, mas eu sinto um certo receio em consertar o controle agora… Zapear pela vida já não parece mais tão legal assim…

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Pessoas e Músicas

Pessoas são como músicas:

Algumas te despertam uma fascinação inexplicável,

Você ouve, e se rende completamente…

Aquela melodia, até então desconhecida,

Te desconcerta, te conquista!!

E durante um determinado tempo

Só ela te parece certo; traz aquela sensação de satisfatez.

Ela te completa, não te cansa, e você pode ouvi-la uma,

Duas, dez vezes seguidas, que a excitação é a mesma…

Faz de tudo para descobri-la, aprendê-la, decorá-la

Cada mínimo detalhe, cada batida, cada palavra…

Sabe seus graves, seus agudos,

E cada nota dela, fica presa, nos lábios, no pensamento,

Lembrada ou cantarolada , nos pequenos momentos do seu dia.

Mas aí,um dia, você se acostuma… Deixa de ser novidade,

Descobre uma nova mania, igualmente fascinante

E escutar aquela nota batida já não traz mais

Toda aquela sensação de plenitude…

Aos poucos, você se flagra assobiando outra melodia,

E por mais que a anterior tenha marcado

Toda uma época do seu viver, você vai tê-la apenas

Como uma lembrança boa,uma leve nostalgia,

De quando o ritmo era outro…

Dia das Crianças (???)

Dia das crianças está aí, e me pergunto: quem hoje em dia é criança? Vou meio que chover no molhado aqui, mas preciso desabafar… Acabei de comentar num post do Facebook, sobre as mudanças que estamos sofrendo…

Minha infância foi uma delícia. Sempre muleca, brincava com os ‘pivetinho’ da favela que tem no final da rua em que eu morava. Subia morro pra buscá-los… Minha casa era a mais ‘pobre’ em um quarteirão de pseudo mansões. Na verdade, a lembrança que tenho desde sempre é de ser a menos ‘favorecida’ em meio a gente muito abastada, mas na minha cabecinha de filha de antropóloga, éramos todos muito iguais… A Arminda (amiguinha da favela) era tão importante quanto a Rúbia (vizinha da mansão do lado, que dava volta no quarteirão da Rua do Ouro… E eu não entendia direito o olhar de desaprovação do resto dos pais da rua quando viam a mulecada saindo lá de casa… Enfim…

Brinquei muito de casinha, fazia comidinha de verdade, no quintal da casa de Maceío. Sentava o namoradinho de então à mesa e fazia comer a gororobinha improvisada no fogãozinho à lenha… Os aniversários das bonecas sempre tinham bolo de chocolate, que aprendi a fazer com uns 6 anos, se me recordo bem. Na escolinha da Rio Doce, eu era professora brava: passava para-casa de verdade e dava castigo pra quem não fizesse. E a vendinha de porta de casa: fazia quem passava na rua comprar pipoca e limonada… Sempre fui fã daqueles disquinhos coloridos que contavam estórias, lembram? Lá em casa tinha um arco íris praticamente, e eu gostava de decorar as falas e montar teatrinho pra apresentar pra turma do prédio. Pluft O Fantasinha, na voz de Louise Cardoso vive fresco na minha memória até hoje…

Depois veio a pré adolescência e as brincadeiras mudaram um pouco. Por causa da Malu Mader, o negócio era pular o muro do Mahatma (condomínio de Maceió também) pra usar uma plataforma que tinha no Hotel Jatiúca, ao lado, de passarela para desfilar. Com Domino Dancing de fundo imaginário, todas queriam ser Top Model!!! E a fase Paquita né? Mulher nascida em 70 e tantos/80 e poucos sabe BEM o que foi isso. Tirar foto de biquíni fazendo pose pra mandar pra Xuxa… Atire a 1ª pedra quem não tiver uma assim largada em algum álbum pela casa…

Mas é isso: sinto muita dó da meninada de hoje em dia. Não tem sonho, não tem brincadeira, não tem ‘role model’ que preste. Aliás, sonho tem sim: ser Ronaldinho e/ou Mulher Melancia. A tecnologia (internet, celular, etc…) associada à falta de pais presentes ou interessados, dá acesso na maior parte dos casos só à informação desnecessária que gera neles essa falsa noção do que a maturidade é de quando e como ela deve vir… As Britneys da vida estão aí pra não me deixar mentir… E a nós, que temos essa percepção, só nos resta uma coisa: lamentar…