Dia das Crianças (???)

Dia das crianças está aí, e me pergunto: quem hoje em dia é criança? Vou meio que chover no molhado aqui, mas preciso desabafar… Acabei de comentar num post do Facebook, sobre as mudanças que estamos sofrendo…

Minha infância foi uma delícia. Sempre muleca, brincava com os ‘pivetinho’ da favela que tem no final da rua em que eu morava. Subia morro pra buscá-los… Minha casa era a mais ‘pobre’ em um quarteirão de pseudo mansões. Na verdade, a lembrança que tenho desde sempre é de ser a menos ‘favorecida’ em meio a gente muito abastada, mas na minha cabecinha de filha de antropóloga, éramos todos muito iguais… A Arminda (amiguinha da favela) era tão importante quanto a Rúbia (vizinha da mansão do lado, que dava volta no quarteirão da Rua do Ouro… E eu não entendia direito o olhar de desaprovação do resto dos pais da rua quando viam a mulecada saindo lá de casa… Enfim…

Brinquei muito de casinha, fazia comidinha de verdade, no quintal da casa de Maceío. Sentava o namoradinho de então à mesa e fazia comer a gororobinha improvisada no fogãozinho à lenha… Os aniversários das bonecas sempre tinham bolo de chocolate, que aprendi a fazer com uns 6 anos, se me recordo bem. Na escolinha da Rio Doce, eu era professora brava: passava para-casa de verdade e dava castigo pra quem não fizesse. E a vendinha de porta de casa: fazia quem passava na rua comprar pipoca e limonada… Sempre fui fã daqueles disquinhos coloridos que contavam estórias, lembram? Lá em casa tinha um arco íris praticamente, e eu gostava de decorar as falas e montar teatrinho pra apresentar pra turma do prédio. Pluft O Fantasinha, na voz de Louise Cardoso vive fresco na minha memória até hoje…

Depois veio a pré adolescência e as brincadeiras mudaram um pouco. Por causa da Malu Mader, o negócio era pular o muro do Mahatma (condomínio de Maceió também) pra usar uma plataforma que tinha no Hotel Jatiúca, ao lado, de passarela para desfilar. Com Domino Dancing de fundo imaginário, todas queriam ser Top Model!!! E a fase Paquita né? Mulher nascida em 70 e tantos/80 e poucos sabe BEM o que foi isso. Tirar foto de biquíni fazendo pose pra mandar pra Xuxa… Atire a 1ª pedra quem não tiver uma assim largada em algum álbum pela casa…

Mas é isso: sinto muita dó da meninada de hoje em dia. Não tem sonho, não tem brincadeira, não tem ‘role model’ que preste. Aliás, sonho tem sim: ser Ronaldinho e/ou Mulher Melancia. A tecnologia (internet, celular, etc…) associada à falta de pais presentes ou interessados, dá acesso na maior parte dos casos só à informação desnecessária que gera neles essa falsa noção do que a maturidade é de quando e como ela deve vir… As Britneys da vida estão aí pra não me deixar mentir… E a nós, que temos essa percepção, só nos resta uma coisa: lamentar…

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