Gosto musical pode-se comparar com o sexual, na maior parte dos casos. Exemplo: a gente gosta de gente ‘bonitinha’ pra namorar firme, andar de mão dada, apresentar em casa. Mas pega uns arregaços as vezes. No ardor da bebida alcoólica, o nível de todo mundo, pra várias coisas, cai de vez em quando. Então, quem curte música boa, acaba cometendo o deslize de cantar um sertanejo ou funk. Mas não deixa de apreciar/preferir o que é melhor…

 

Eu ligo pra dinheiro?

 

Eu não ligo pra dinheiro. Aliás, já vou começar o texto me corrigindo: eu ligo sim. Quero ter mais do que tenho. Mas não vivo pra isso. Tenho com a grana, uma relação de amor e ódio. Ao mesmo tempo que penso nela como a solução pra boa parte dos problemas familiares aqui do meu núcleo, sei que só ter ela não leva a lugar nenhum. As vezes disfarça que leva, mas na verdade, não…

Estou assistindo Vale Tudo e me deleitando com as análises. Me perco entre a trama de Raquel e Maria de Fátima. Não sei qual amo, qual odeio. Em ambas, identifico pensamentos parecidos aos meus, e em ambas, morro de preguiça da parte que não me apetece. Sou a favor da filosofia do trabalho honesto pregado pela mãe, mas entendo na mesma proporção, a ânsia que a filha sente de mudar de vida, buscar o ‘mais’… Só não concordo, claro, e graças a Deus, com os meios que ela escolhe para consegui-lo. E me divirto (pra não repetir a minha palavra preferida dos últimos tempos: me irrito) com a revolta que sinto vendo uma mulher inteligente e bonita, achando que o caminho mais fácil é dar o golpe do baú. Me esqueço do tanto dessas que existem na vida real (das pobres às mais abastadas) e arrisco falar que mais perto de mim do que eu gostaria. Mas o foco de hoje não são as ‘social climbers’, como diria Odete…

Sou filha de uma professora universitária cujo pai teve mais de uma dúzia de filhos pra criar, com um artista plástico que nunca soube administrar o dom que tem. Nunca faltou NADA, mas a vida sempre foi contida. Morava numa rua de casarões na Serra, onde no final, tinha uma favela. Dividia minhas tardes de brincadeira, entre a Rúbia, vizinha da direita, loira e rica, e a Arminda, negra e pobre, que descia do morro pra ir lá pra casa. E gostava das duas o mesmo tanto.

Uns anos mais tarde, morei em Maceió num Condomínio onde todos os pais tinha o carro do ano, e a nossa Belininha enferrujada dividia a garagem com eles. Nosso apartamento era o que tinha menos móveis, menos eletrodomésticos, menos roupas de marca, mas onde todo mundo ia parar de tarde pra brincar. Eu invejava algumas facilidades das vizinhas, mas nunca tinha parado pra notar que as pessoas julgam outras pelos bens materiais até uma amiguinha do prédio falar que não gostava de ir lá em casa porque a gente era ‘pobre’. Aquilo me chocou…

O tempo foi passando, caí na night belo-horizontina e vim parar no meio de gente muito mais privilegiada do que essas que já tinha tido contato anteriormente. Muita grana mesmo, em alguns casos. Mas vejo tanta cara triste… Meninas ‘lindas’, vestidas com a roupa da ultima coleção da boutique da moda, maquiadas e penteadas nos melhores salões da cidade, a bolsa por si só deve valer um mês do salário da minha mãe. E no entanto, aquela expressão de tédio profundo. De ‘falta’… E vai tentar conversar pra você ver a ‘profundidade’… Dá dó!

Como dizem por aí: tem gente que é tão pobre, mas tão pobre, que só tem dinheiro.

Veja Bem…

Há uns 4 anos atrás, um amigo meu me mandou um link de um blog que ele adorava, dizendo que me achava ‘a cara’ da mina que escrevia. Na época eu escrevia já sim, mas pouco. Meu período mais produtivo foi na adolescência. Aquele sentimento de inadequação, associado à baixa auto estima de praxe nas adolescentes patinho feio, mais os problemas familiares (foi quando a bola de neve que viraram as merdas aqui de casa começou a rolar morro abaixo) e o gosto desde cedo por curtir uma deprêzinha, me renderam muitas, mas muitas páginas mesmo, de pseudo poesias, contos, umas tentativas de escrever letra de música, e infindos desabafos!

Nessa época eu tinha cadernos. E escrevia grande. Eram páginas, frente e verso. Custava mais pra desenvolver o assunto e as conclusões eram sempre tendenciosas pro pessimismo. Fui uma adolescente meio triste. Perdida numa falta de rumo e na ausência de quem ajudasse a procurá-lo, dentro de casa. Enfim… Sempre achei que a minha inspiração era a tristeza.

Por isso, passados uns anos e aprendidas já algumas das minhas preciosas lições, fui deixando de escrever. Comecei a viver daqui pra fora, pros outros… O foco havia mudado. Sempre tinha sido pra dentro, pra mim só. E a vida foi me arrastando… As vezes eu parava pra reler, e achava curioso que aquelas palavras tivessem saído de mim. Continuo achando, rs…

Então, caí no tal blog. O qual devorei inteiro na primeira sentada, tamanha era a empolgação e identificação que eu sentia com o que meus olhos estavam comendo. E ia pensando, a cada texto: uai, mas ‘peraí, eu também penso exatamente assim, que fantástico! Mas sentia lá no fundo, uma invejinha. Quase um ciúme. Porque quem estava escrevendo pro mundo ler, as MINHAS verdades, era outra pessoa. Hahaha… Foi o empurrão que eu precisava. Voltei pros meus cadernos (na época eu mal usava computador). E descobri que também sei escrever sobre as coisas, sem ser desabafo triste de gente depressiva que acha que quer morrer, rs. De lá pra cá, virou isso que vocês acompanham aqui. Aí vou chegar no ponto que eu queria, pra vocês entenderem o texto de hoje.

Essa semana, por uma dessas coincidências que só a internet é capaz de proporcionar hoje em dia, a tal mina desse blog que eu amava, comentou num post de um amigo em comum lá de Sampa. Não perdi a oportunidade, e cobrei: Abandonou seu Blog né? A resposta foi tipo, ‘’abandonei, mas é por uma justa causa. Tô feliz no amor…’’

Oi??? De repente, aquela mulher que eu achava in-crí-veeeel, virou uma qualquer. Respondi, ‘‘escreva sobre isso então, uai…’’ Juro que não entendi. Mulher feliz no amor não pode pensar não? Não quer? A vida a dois não rende ótimos textos também? E as experiências, e reflexões???  Posso estar sendo muito injusta ou infeliz ao retratá-la nesse texto de hoje, mas não deixo de sentir uma certa revolta. E vou parar por aqui nas minhas subjetivações referentes à vida alheia, pra não pegar (mais) mal, até mesmo porque, CADA UM É FELIZ DE UM JEITO né?. Mas minha indignação está exposta e documentada aqui pra gente ler sempre. Parar de produzir porque ‘casou’… Essa língua eu espero não pagar NUNCA!

About Me pro WordPress

Já fui nerd na escola, fã da Xuxa na pré-adolescência, depois meio Hippie, meio Metal, meio Skater, meio Muderna… Meio tudo!

Saí do 2º grau direto pra Night e nela fiz a minha escola, faculdade, pós e mestrado, rs. Trabalhei como promoter, fiz divulgação de Mercado Mundo Mix, secretária de Produtores de festas, vendedora de loja em Shopping, garçonete nos melhores Cafés de Bh, Hostess das melhores boates. E fui parar na cabine de Dj. Hoje em dia, toco e me divirto trabalhando, como nunca deixou de ser. E ando dando umas arriscadas bem sucedidas no ‘papel’. Pelo visto, ainda estou na metade da escada que a vida me separou pra subir. E cada degrau me rende um textinho delicioso… Vamos ler?

Dê o seu grito

Não sei ser comedida. Quando gosto de alguma coisa, gosto muito. Quando quero algo, quero muito. Quando amo, é aquele amor que dói, de tão com força. E quando não gosto, não quero, ou não amo, meu amor: sai da frente…

Já tentei agradar muito, a todos e por muito tempo. Mas aprendi com os anos, que quem é assim não desperta admiração. Muito menos respeito. Além do que, também não é nem um pouco saudável pra formação do caráter e auto estima de ninguém. A não ser que o seu sonho seja o convento.

Geralmente, quem sempre abaixa a cabeça e concorda, não cresce. Não aprende. E obviamente, não cria voz. Ando pegando fama de mal humorada porque reclamo muito, mas as coisas não são bem assim (quem conhece sabe o tanto que é bom rir das bobeiras que falo, e a doçurinha que consigo ser quando quero). Reclamo sim, de muito do que me incomoda perceber no mundo e nas pessoas. Nos comportamentos, relacionamentos… Mas eu não reclamo da vida em si. E nem poderia. Ela tem sido ‘ótima’. Não perfeita, e nem gostaria se fosse. Mas ótima sim. Reclamo das joselitices alheias, da falta de noção que impera mundo afora e adentro (de cada um e de cada mundinho). Reclamo de injustiça, de indiferença social, de programas de TV, de mim e de você. Numa escala que abrange assuntos realmente importantes, às banalidades mais frívolas do cotidiano nosso de cada dia. Mas pelo menos não me conformo. E cá pra nós, minhas reclamações são mais num tom de crítica com esperança numa possível mudança/melhora nos tópicos abordados. Não é só veneno, como vejo muito por aí…

E é isso: ando cada vez mais resoluta ao grito mesmo. Não gostou? Fale. Não quer fazer? Admita. Parou de gostar? Termine. Empurrar as pessoas com a barriga por ‘dó’ de falar a verdade acaba gerando só dor de cabeça quando você alcançar a borda. É mais difícil manter a empatia alheia por você, uma vez que começa a ‘peitar’ quem está acostumado a ter sempre razão. Mas a longo prazo, é um bem que a gente faz a si mesmo, manter cada um seu próprio ponto de vista. E quem realmente gostar de você, não vai se afastar só porque você pensa diferente. Cada um tem um caminho a trilhar e cabe só a nós mesmos as escolhas feitas durante essa caminhada. Porque o seu destino, só você é capaz de saber. Você e mais ninguém…

Pagando língua

Minha vida sempre teve música. Muita música. Tropicália e brasilidades da parte materna, e muito rock’n roll da paterna. Diz meu pai, que quando eu chutava muito na barriga, era só cantarolar Caetano no ouvido de mamãe, que eu sossegava na hora. Nas brincadeiras de criança em casa sempre teve uns showzinhos também. Sem falar no banho, cantava muito. Gravo clipe até hoje, preparando pra sair… E almoçar aqui em casa é só com música clássica de fundo.

Aí tive uma época de relapso na adolescência, virei fã da Xuxa. Errar é humano, rs. Então, uma paixão de colégio aos 15 me fez voltar pro Rock. Pink Floyd foi a descoberta da vida pra mim. Típico de mulher: Ouve/gosta porque o cara é fã. Do cara, nem sei mais. Mas o Pink domina a estante de CDs e o play do som até hoje, principalmente em noite de céu limpo…

Aí, aos 17, saí do mundinho do rock e descobri o eletrônico. Fui pra Broadway um dia que tocava Techno. Perguntei o que era aquilo. Me falaram: é um bate estaca, você vai ver… E eu vi. Morrendo de rir do jeito que as pessoas dançavam, a princípio. De lá, caí na Escape (1º club de musica eletrônica de BH), onde descobri os mestres: Noise, Robinho, Xéu, Mille… Costumo falar que fui muito bem catequizada desde cedo, graças a Deus. Independente do estilo musical… E essa era do eletrônico durou uma década.

E mesmo que eu toque um monte de bagaceira, nunca imaginei que um dia a cabine seria ‘minha’. Acho graça até hoje quando me chamam de Dj Sininho. Há uns 5 anos atrás, fiz um teste vocacional, porque não sabia que rumo dar à minha vida. Umas das principais profissões que saiu foi Dj. Seguido de psicologia, jornalismo e diplomacia, hahaha… Me pergunta qual delas eu achei provável? A de Dj soou como brincadeira…

Mas virou verdade. A Sininho que antes dançava, agora toca. E ‘pior’: toca axé, sertanejo, funk, forró (na Camarim e dependendo da festa, claro!)… Em meio a muitas outras preferidas. Se me falassem isso há um tempo atrás, eu ia achar muita graça. Não acreditaria… Pois é, dessas línguas que a gente paga à medida que envelhece… E por isso digo que tenho amado envelhecer, amadurecer… É vero que tenho ‘traído’ o movimento que amei e defendi por muitos anos. Não prestigio os mestres mais como deveria… Pago língua disso também… Mas confesso, que tenho pagado feliz!!!