Veja Bem…

Há uns 4 anos atrás, um amigo meu me mandou um link de um blog que ele adorava, dizendo que me achava ‘a cara’ da mina que escrevia. Na época eu escrevia já sim, mas pouco. Meu período mais produtivo foi na adolescência. Aquele sentimento de inadequação, associado à baixa auto estima de praxe nas adolescentes patinho feio, mais os problemas familiares (foi quando a bola de neve que viraram as merdas aqui de casa começou a rolar morro abaixo) e o gosto desde cedo por curtir uma deprêzinha, me renderam muitas, mas muitas páginas mesmo, de pseudo poesias, contos, umas tentativas de escrever letra de música, e infindos desabafos!

Nessa época eu tinha cadernos. E escrevia grande. Eram páginas, frente e verso. Custava mais pra desenvolver o assunto e as conclusões eram sempre tendenciosas pro pessimismo. Fui uma adolescente meio triste. Perdida numa falta de rumo e na ausência de quem ajudasse a procurá-lo, dentro de casa. Enfim… Sempre achei que a minha inspiração era a tristeza.

Por isso, passados uns anos e aprendidas já algumas das minhas preciosas lições, fui deixando de escrever. Comecei a viver daqui pra fora, pros outros… O foco havia mudado. Sempre tinha sido pra dentro, pra mim só. E a vida foi me arrastando… As vezes eu parava pra reler, e achava curioso que aquelas palavras tivessem saído de mim. Continuo achando, rs…

Então, caí no tal blog. O qual devorei inteiro na primeira sentada, tamanha era a empolgação e identificação que eu sentia com o que meus olhos estavam comendo. E ia pensando, a cada texto: uai, mas ‘peraí, eu também penso exatamente assim, que fantástico! Mas sentia lá no fundo, uma invejinha. Quase um ciúme. Porque quem estava escrevendo pro mundo ler, as MINHAS verdades, era outra pessoa. Hahaha… Foi o empurrão que eu precisava. Voltei pros meus cadernos (na época eu mal usava computador). E descobri que também sei escrever sobre as coisas, sem ser desabafo triste de gente depressiva que acha que quer morrer, rs. De lá pra cá, virou isso que vocês acompanham aqui. Aí vou chegar no ponto que eu queria, pra vocês entenderem o texto de hoje.

Essa semana, por uma dessas coincidências que só a internet é capaz de proporcionar hoje em dia, a tal mina desse blog que eu amava, comentou num post de um amigo em comum lá de Sampa. Não perdi a oportunidade, e cobrei: Abandonou seu Blog né? A resposta foi tipo, ‘’abandonei, mas é por uma justa causa. Tô feliz no amor…’’

Oi??? De repente, aquela mulher que eu achava in-crí-veeeel, virou uma qualquer. Respondi, ‘‘escreva sobre isso então, uai…’’ Juro que não entendi. Mulher feliz no amor não pode pensar não? Não quer? A vida a dois não rende ótimos textos também? E as experiências, e reflexões???  Posso estar sendo muito injusta ou infeliz ao retratá-la nesse texto de hoje, mas não deixo de sentir uma certa revolta. E vou parar por aqui nas minhas subjetivações referentes à vida alheia, pra não pegar (mais) mal, até mesmo porque, CADA UM É FELIZ DE UM JEITO né?. Mas minha indignação está exposta e documentada aqui pra gente ler sempre. Parar de produzir porque ‘casou’… Essa língua eu espero não pagar NUNCA!

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3 Respostas para “Veja Bem…

  1. Tô aqui tentando entender ” a moça que ama e não escreve”. Sabe aquela história de que ser feliz nos consome muito? Talvez não sobre tempo…
    Enquanto isso a gente vai, escrevinhando o que nos dói, o que a gente ama, o que nos diverte,o que incomoda e qualquer outra coisa que nos inspire.
    E, se me faltar inspiração, eu peço: que seja por causa de um amor.

    • Erica,
      Pois é. Acho muito legal e fico feliz por ela, que esteja ‘achada’ nessa busca nossa de cada dia, hahaha.
      Mas o sentimento de indignação mora em minha pessoa. Entendo até dar uma diminuída, o foco muda,
      o tempo disponível também. Mas PARAR? Tem tipo 2 anos que ela não posta nada… Rs

  2. Ser feliz e ser triste consomem o mesmo tempo… Apenas o foco é que muda… Pode soar como o maior clichê (e, com certeza é), mas, enfim, não consigo acreditar que tem gente “amorfa” nesse mundo, que se molda no outro… Será que não existe graça em compartilhar as aventuras e desventuras de um casal??? E felicidade não pode ser compartilhada???

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