Eu ligo pra dinheiro?

 

Eu não ligo pra dinheiro. Aliás, já vou começar o texto me corrigindo: eu ligo sim. Quero ter mais do que tenho. Mas não vivo pra isso. Tenho com a grana, uma relação de amor e ódio. Ao mesmo tempo que penso nela como a solução pra boa parte dos problemas familiares aqui do meu núcleo, sei que só ter ela não leva a lugar nenhum. As vezes disfarça que leva, mas na verdade, não…

Estou assistindo Vale Tudo e me deleitando com as análises. Me perco entre a trama de Raquel e Maria de Fátima. Não sei qual amo, qual odeio. Em ambas, identifico pensamentos parecidos aos meus, e em ambas, morro de preguiça da parte que não me apetece. Sou a favor da filosofia do trabalho honesto pregado pela mãe, mas entendo na mesma proporção, a ânsia que a filha sente de mudar de vida, buscar o ‘mais’… Só não concordo, claro, e graças a Deus, com os meios que ela escolhe para consegui-lo. E me divirto (pra não repetir a minha palavra preferida dos últimos tempos: me irrito) com a revolta que sinto vendo uma mulher inteligente e bonita, achando que o caminho mais fácil é dar o golpe do baú. Me esqueço do tanto dessas que existem na vida real (das pobres às mais abastadas) e arrisco falar que mais perto de mim do que eu gostaria. Mas o foco de hoje não são as ‘social climbers’, como diria Odete…

Sou filha de uma professora universitária cujo pai teve mais de uma dúzia de filhos pra criar, com um artista plástico que nunca soube administrar o dom que tem. Nunca faltou NADA, mas a vida sempre foi contida. Morava numa rua de casarões na Serra, onde no final, tinha uma favela. Dividia minhas tardes de brincadeira, entre a Rúbia, vizinha da direita, loira e rica, e a Arminda, negra e pobre, que descia do morro pra ir lá pra casa. E gostava das duas o mesmo tanto.

Uns anos mais tarde, morei em Maceió num Condomínio onde todos os pais tinha o carro do ano, e a nossa Belininha enferrujada dividia a garagem com eles. Nosso apartamento era o que tinha menos móveis, menos eletrodomésticos, menos roupas de marca, mas onde todo mundo ia parar de tarde pra brincar. Eu invejava algumas facilidades das vizinhas, mas nunca tinha parado pra notar que as pessoas julgam outras pelos bens materiais até uma amiguinha do prédio falar que não gostava de ir lá em casa porque a gente era ‘pobre’. Aquilo me chocou…

O tempo foi passando, caí na night belo-horizontina e vim parar no meio de gente muito mais privilegiada do que essas que já tinha tido contato anteriormente. Muita grana mesmo, em alguns casos. Mas vejo tanta cara triste… Meninas ‘lindas’, vestidas com a roupa da ultima coleção da boutique da moda, maquiadas e penteadas nos melhores salões da cidade, a bolsa por si só deve valer um mês do salário da minha mãe. E no entanto, aquela expressão de tédio profundo. De ‘falta’… E vai tentar conversar pra você ver a ‘profundidade’… Dá dó!

Como dizem por aí: tem gente que é tão pobre, mas tão pobre, que só tem dinheiro.

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Uma resposta para “Eu ligo pra dinheiro?

  1. PARABENS pelo blog e pelo seu trabalho! Te ouvi tocando pela primeira vez,por acaso,em um casamento que vc era madrinha desde entao virei fa e agora esse mesmo acaso me fez descobrir o blog! Parabens mesmo alem de tocar muito vc escreve muito bem !

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