Mad Woman

A locadora que tinha ao lado da minha antiga casa, Art Video vai fechar. Virar mais um prédio, dentre tantos que foram tomando o lugar das deliciosas casas, que tinham na minha rua… O dono, Gabriel, resolveu vender parte de seu acervo, e nessa história resolvi adquirir uma que eu sempre tive curiosidade de assistir mas acabei nunca o fazendo: Mad Men.

A série é ambientada no universo da propaganda nos anos 50/60, o foco dela é um escritório de Publicidade dominado por homens (claro) onde as mulheres ficam no segundo plano, mais encarregadas de saciar a vontade sexual de seus patrões do que qualquer outra função que exerçam no trabalho. Nada muito diferente de hoje em dia, infelizmente, mas naquela época as coisas eram mais descaradas, de certa forma. Pelo menos é a impressão que tenho. Ainda estou no sexto episódio.

É um seriado paradão. Nada ‘de mais ‘ acontece ainda, e nem imagino que vá acontecer. O que me ‘pegou’ mesmo é o quesito comportamental, antropológico e social, retratado ali. Dom Draper, o personagem principal da trama, divide seu tempo entre drinks, cigarros (fico bêbada e sem fôlego só de assistir), mulheres, anúncios brilhantes e o papel de maridão provedor. Tem esposa e filhos em casa, o aguardando ansiosamente chegar do dia de ‘’trabalho’’. Tudo no seu devido lugar, como eu disse, não muito diferente dos tempos de hoje, infelizmente (mais uma vez).

Uma  das minhas cenas preferidas até agora, foi quando Peggy, uma secretária novata que vai pra cama no dia da despedida de solteiro de um dos publicitários mais importantes da firma, com o mesmo, dá de cara com a respectiva esposa e nem sequer é apresentada. A conversa entre as partes (Draper, ela e o casal recém casado) segue como se ela nem existisse ali, fosse um objeto ou até mesmo negra (porque sim, os negros retratados na série apenas exercem suas funções e nunca, ninguém, os dirige a palavra). Peggy sai discretamente e vai para o banheiro chorar. Ela, que até então, não compreendia por que sempre tinha alguma outra colega de profissão aos prantos no toalete.

Daí chego no ponto que queria, me desculpem a enrolação. Esse texto vai ser maiorzinho do que de costume. A gente vive pensando que houve uma revolução sexual, que mudou muita coisa, e toda essa baboseira que venderam pra nós, mas como diz um texto anônimo desses que caem no nosso e-mail vez em quando, a única diferença que vejo, é que continuamos sendo tratadas da mesma forma, só que agora, ao invés de ‘’só’’ cuidar da casa, ainda somos obrigadas a trabalhar, e muito. Nos desdobramos pra agradar uma homaiada que sequer enxerga o valor que temos ou o esforço que fazemos para que tudo funcione direitinho. Como se tudo não passasse de nossa obrigação mesmo…

Volta e meia consolo alguma amiga ou as vezes mulheres que nem conheço, no banheiro da Cinco. Sempre tem uma chorando. Ontem consolei, e pásmen, depois foi a minha vez de chorar também. Momento Peggy na balada. EU TAMBÉM FAÇO PARTE DISSO. Eu também me deixo enganar por idiotas que vendem um peixe pra mim, e outro pro mercado. Eu também faço parte desse nicho de mulheres, que os homens rodeiam e tentam levar na lábia, mas é da ‘porta’ pra dentro, sob o lençol seguro e prático que é a internet hoje em dia. Eles nos mantém ali por perto, controladas e conquistadas no teclar de alguns botões, mas quando a parada vai à público, não hesitam em nos deixar no banco de reserva e ir atrás de possíveis novas titulares. E a gente aceita… Finge que não saca isso. Na verdade, muitas realmente não sacam, e não sei quem é mais digno de dó: as conscientes ou as ingênuas…

Mas quando são questionados em relação a esses comportamentos, jogam sempre a culpa em nós. A mulherada é que está descontrolada. Dando piti à toa. “Eu não tenho mais nada com ela não’’… Como se só porque não beijam ou transam (ou as vezes fazem isso, mas é esporadicamente e depende da necessidade DELES), não fossem responsáveis pelas sementinhas que plantam no nosso imaginário. Pois sim, ELES PLANTAM! Hoje em dia os acho mais ‘fazendeiros’ de inverdades do que equilibristas de pratos (http://abonitonaencalhada.blogspot.com/2008/09/teoria-dos-pratinhos.html). E as loucas aqui consentem… Mas o tempo de Mad Woman acabou, pelo menos pra mim. Perceber certas verdades dói demais, e é mais por isso que chorei, mas é melhor uma verdade doída do que uma mentira anestesiada…

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3 Respostas para “Mad Woman

  1. é verdade sininho. quando te “apliquei”o equilibrista de pratos, achei que esta seria a melhor forma de definir muitos deles mas tenho que concordar DEMAIS com o fazendeiro das inverdades. hahah

    o negócio agora virou uma hortinha e eles plantam uma esperança dentro de cada uma e depois não vem regar. ai, a gente mesmo resolve “se regar”, chorando.

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