O tamanho da bolsa.

Durante uma época, quando eu era mais nova, eu usava bolsas enormes. Só de maquiagem era uma necessaire gigante, e eu levava todas dentro. Não queria estar despreparada pra nenhuma ocasião. Sempre achando que alguma ”coisa” fosse acontecer… Esperança boba de menina nova. As expectativas eram sempre também, enormes… Com relação a tudo…

Os anos foram passando, e as bolsas diminuindo… Hoje em dia, dependendo do lugar, nem de bolsa vou. Já aprendi direitinho o que é necessário ter em mãos, e mais importante, que muito do que achamos que vamos precisar, acabamos nem usando. É peso morto que a gente acostuma a carregar pra cima e pra baixo… Como em vários outros aspectos do viver.

Aqui da casa dos 30, eu já aprendi que menos, é mais. Não preciso me preparar pra nada que já não tenha vivido ou que não saiba como contornar. Não preciso de ‘quilos’ de maquiagem, até mesmo porque hoje em dia, me sinto mais bonita só de rímel e blush. Não precisa carregar vidro(s) de perfume. Não precisa de caderninho, agenda, de lenço de papel, lenço umidecido, sombrinha, de estojo de canetas e mais um monte de ‘’parafernália’’…

Me desculpem as que gostam, mas tenho pra mim que grandes bolsas e grandes expectativas, são justamente (e curiosamente o inverso), coisa de gente despreparada, com pouca experiência e/ou desenvolvimento emocional. A minha bolsa, assim como as expectativas, diminuíram consideravelmente. Com relação a tudo…

As 5 fases de um término

 

1 – Vontade de morrer – Nessa fase, lembrar, ver ou qualquer outro tipo de contato, gela o estomago da um mal estar, e parece que a nós perdemos vida, é não querer saber de nada ao mesmo tempo perguntar a todos se viram alguma coisa, sair com amigos, não adianta, você está realmente morto para diversão, se estamos em algum lugar movimentado, parece que essa pessoa irá aparecer a qualquer momento, passar por essa fase, sem ter uma recaída, ligar, chorar, pedir pra voltar é difícil, mas se passar, sinta-se um campeão. O melhor a fazer é se ocupar com um lazer que te de prazer longe de muitas pessoas, filmes pra quem gosta é uma boa pedida, alugue filmes a rodo, tipo por atacado. Nessa hora os melhores são comédias e romance, por incrível que parece romance ajuda muito.

2 – Um suspiro – A aceitação começa a chegar, porém estamos muito fracos ainda, essa hora você se anima, mas uma recaída não está descartada, você quer se divertir, com uma simples condição, quer ter certeza que essa pessoa não estará lá. O melhor a fazer é ir em lugares que a outra pessoa odiava e não iria nem sobre decreto, churrasco com amigos q não são conhecidos da outra pessoa também é uma boa pedida, evite contato com amigos em comum, essas pessoas passam informações e na maioria das vezes, não são boas. Dica: Mantenha-se ocupado e com uma boa companhia, a vaidade e vontade de ficar bonito(a) aumenta, vá a lugares em busca de elogios, eles sempre fazer bem. Se passar dessa fase sem recaída, dê graças a Deus e sinta-se iluminado.

3 – Você aceitou a perda e tocou um foda-se – Nessa fase, você começa a viver, mete um foda-se na vida da outra pessoa, e sai e convive com todos, beijando, paquerando sem se preocupar o que a outra pessoa irá pensar, porém gosta dela ainda, e evitar um contato é importantíssimo, as lembranças vêm em raros momentos no dia, e não te incomodam tanto como antes, essa hora é muito boa, para se distanciar e fazer um novo planejamento de sua vida, ela está prestes a mudar e para melhor.

4 – A liberdade – Você começa a curtir ficar com outras pessoas e essas pessoas agradam, você se diverte, de vez em quando pode bater uma saudade, nada que uma boa amizade ou um rolo simples não faça passar, você começa até a torcer pela felicidade dessa pessoa que você tem q admitir, fez bem pra você um dia, e um encontro casual no Shopping por exemplo, não é nada de mais é um(a) ex que virou amigo(a), distante, não se esqueça disso. Dica: “Deixar a vida te levar”

5 – A vida volta a valer a pena – Você olha, a outra pessoa também, há uma certa química, uma coisa inexplicável, que a tempos você não sentia, a aproximação é inevitável, a conversa agradável, a atração aumenta a cada instante, o beijo é maravilhoso, o toque chega a dar choque de tanta sintonia. Pronto, você está apaixonado(a) de novo e a vida volta a valer a pena. Você encontra a felicidade novamente e está pronto para a próxima, viva intensamente, e se acontecer de novo, faz parte da vida….

“Covarde não é o homem que chora por amor, e sim aquele que não ama por medo de chorar”

O que acho mais curioso, é que a gente sabe por conhecimento de causa, que chega na fase 5, mas sempre ficamos na lamúria achando que dessa vez não vai, que esse cara a gente não vai superar, que esse amor foi maior/melhor de todos… Hahahaha. E depois de um certo tempo, ou de um novo amor, a gente olha pra trás e ri muito de tudo… Eu hoje, olho pros que já desprezo (último post no blog), e não acredito que já sofri ”daquele jeito” por causa deles… É assim! Bola pra frente porque TUDO passa!

Mulé Burra!

”O desprezo é um ódio morto. É quando o ódio não é mais correspondido.
Não significa que se aceitou o passado, que se tolera o futuro; é uma desistência. Uma espécie de serenidade da indiferença. Não desencadeia retaliação, não se tem mais vontade de reclamar, não se tem mais gana para ofender. Supera a ideia de fim, é a abolição do início.
Não desejaria isso para ninguém. O desprezado é mais do que um fantasma. Não é que morreu, sequer nasceu; seu nascimento foi anulado, ele deixa de existir.
O desprezo é um amor além do amor, muito além do amor. Não há como voltar dele.”

Achei nesse site aqui ó:

http://www.muleburra.com/mb/

 

 

Vídeo Cassete

Nessa madrugada, assistindo Vale Tudo, me veio mais uma analogia. Heleninha deitada na cama, estreiando o vídeo cassete recém adquirido com Ivan. Vídeo cassete na época da novela era A novidade. Só gente com ‘condição’ tinha. Lembro direitinho, que quando a novela passou pela 1ª vez, eu morava em Maceió, e de todas as casas das amigas (que tinham mais grana que eu, já escrevi sobre no blog), a minha foi a ultima a obter, e me veio à memória o dia exato em que minha mãe chegou trazendo a novidade.

Na cena retratada e reprisada hoje, o foco da propaganda era mostrar o tal do controle remoto: essa maravilha da tecnologia que possibilitava, além da função do vídeo cassete em si, que era poder ver filmes em casa, pausar e repetir as cenas preferidas. Dei ‘’stop’’ no pensamento na hora…

Seria uma maravilha se viver fosse parecido com reproduzir uma fita né? Eu, particularmente, iria me jogar no ‘’rewind’’, porque tenho essa alma nostálgica eterna, acho que não é surpresa pra ninguém que me conhece. Mas isso tem me irritado bastante ultimamente. Cheguei à conclusão que gente que vive presa demais ao passado, ou até mesmo à sua própria idealização e expectativa do que será o futuro, é na verdade imaturo, e nem tanto nostálgico. Digo isso pois creio que são fugas de quem não quer ou não ‘’pode’’ lidar com seu próprio presente.

A gente vive na juventude buscando a maturidade, querendo envelhecer logo, ser adulto. Aperta o ‘’fast forward’’ com força pra passar tudo mais rápido. E quando chega lá, fica com medo da idade e de suas conseqüências, daí começamos a correr atrás do tempo, impedi-lo de passar. Tentando dar ‘’pause’’… E (quase) ninguém se contenta com o presente. Nessa parte, me senti feliz.

Enquanto tomava banho (sim, meus melhores insights sempre são no banho, e quando pressinto um texto ‘desses’ corro pro chuveiro antes de me sentar à escrita), e realizei que estou satisfeita com o meu ‘agora’. Pode ser que daqui a alguns anos, quando  começarem as rugas e quilos a mais, eu entre em crise e tente retardar o processo um pouco sim, vai saber. Não consigo me imaginar ‘velha’…

Mas cansei de me prender à acontecimentos, pessoas, relacionamentos e feridas que já foram. Ficar rendendo choro e repetindo cenas que deveriam bater na claquete só uma vez, no máximo duas. Insistir em certos erros é coisa de gente burra e fraca. E também não quero mais ficar gastando energia com o que eu ‘acho’ que vai acontecer daqui alguns meses ou anos, alimentando falsas esperanças em relacionamentos pessoais e profissionais baseada nas minhas subjetivações femininas. Mas já que a vida real não é um vídeo cassete, e muito menos tem a opção ‘’rec’’ pra gravar por cima, escolho o meu ‘’play’’ mesmo e vou vivendo um dia de cada vez…