Vídeo Cassete

Nessa madrugada, assistindo Vale Tudo, me veio mais uma analogia. Heleninha deitada na cama, estreiando o vídeo cassete recém adquirido com Ivan. Vídeo cassete na época da novela era A novidade. Só gente com ‘condição’ tinha. Lembro direitinho, que quando a novela passou pela 1ª vez, eu morava em Maceió, e de todas as casas das amigas (que tinham mais grana que eu, já escrevi sobre no blog), a minha foi a ultima a obter, e me veio à memória o dia exato em que minha mãe chegou trazendo a novidade.

Na cena retratada e reprisada hoje, o foco da propaganda era mostrar o tal do controle remoto: essa maravilha da tecnologia que possibilitava, além da função do vídeo cassete em si, que era poder ver filmes em casa, pausar e repetir as cenas preferidas. Dei ‘’stop’’ no pensamento na hora…

Seria uma maravilha se viver fosse parecido com reproduzir uma fita né? Eu, particularmente, iria me jogar no ‘’rewind’’, porque tenho essa alma nostálgica eterna, acho que não é surpresa pra ninguém que me conhece. Mas isso tem me irritado bastante ultimamente. Cheguei à conclusão que gente que vive presa demais ao passado, ou até mesmo à sua própria idealização e expectativa do que será o futuro, é na verdade imaturo, e nem tanto nostálgico. Digo isso pois creio que são fugas de quem não quer ou não ‘’pode’’ lidar com seu próprio presente.

A gente vive na juventude buscando a maturidade, querendo envelhecer logo, ser adulto. Aperta o ‘’fast forward’’ com força pra passar tudo mais rápido. E quando chega lá, fica com medo da idade e de suas conseqüências, daí começamos a correr atrás do tempo, impedi-lo de passar. Tentando dar ‘’pause’’… E (quase) ninguém se contenta com o presente. Nessa parte, me senti feliz.

Enquanto tomava banho (sim, meus melhores insights sempre são no banho, e quando pressinto um texto ‘desses’ corro pro chuveiro antes de me sentar à escrita), e realizei que estou satisfeita com o meu ‘agora’. Pode ser que daqui a alguns anos, quando  começarem as rugas e quilos a mais, eu entre em crise e tente retardar o processo um pouco sim, vai saber. Não consigo me imaginar ‘velha’…

Mas cansei de me prender à acontecimentos, pessoas, relacionamentos e feridas que já foram. Ficar rendendo choro e repetindo cenas que deveriam bater na claquete só uma vez, no máximo duas. Insistir em certos erros é coisa de gente burra e fraca. E também não quero mais ficar gastando energia com o que eu ‘acho’ que vai acontecer daqui alguns meses ou anos, alimentando falsas esperanças em relacionamentos pessoais e profissionais baseada nas minhas subjetivações femininas. Mas já que a vida real não é um vídeo cassete, e muito menos tem a opção ‘’rec’’ pra gravar por cima, escolho o meu ‘’play’’ mesmo e vou vivendo um dia de cada vez…

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