Par ou ímpar

Ok, vou admitir: eu falo que prefiro ser sozinha por medo. Medo de gostar de novo, de decepcionar de novo, de sofrer de novo. Mas sozinho, ninguém mesmo quer ser. Sim, ser só, é mais fácil… Dá menos dor de cabeça, possibilita que o foco esteja sempre em nós mesmos e pronto. Não distrái a atenção e nem atrapalha nos projetos de vida de cada um (a não ser quando o projeto é casar e ter filhos, claro).  Mas estar só é pior.

Durante muitos anos, da adolescência pra vida adulta, eu achava que meu normal era ser ímpar. Só fui namorar sério com 23 anos. Queda número 1. Além do namorado ser um machista ciumento e desconfiado, fui traída e trocada, por uma outra aí… Achei que fosse morrer, vivi à base de rivotril por uns 10 dias, amargurei rebaixamento de auto estima, esqueci do amor próprio e cheguei ao cúmulo de implorar pela volta, pra não dar o braço à torcer da perda, mais do que por amor ou qualquer outro sentimento. Foi puro orgulho ferido, aprendi nos meses que se seguiram… Mas percebi que era uma batalha perdida e resolvi viajar. Fui pra Bahia, passei um mês longe. No primeiro dia recebi um telefonema assim: ‘’to ligando pra falar que eu te amo’’. Eu: ‘’Ama, mas magoou mais do que eu dou conta de lidar. Já era…’’. E ponto final. O orgulho acusa um desgosto pela pessoa até hoje, mas sofrer por ela, nunca mais…

Voltei. Algumas tentativas rápidas de namorar de novo depois, e muitos rolos e amizades coloridas também, veio a queda número 2, sobre a qual acho que não preciso escrever mais, quem acompanha o blog já deve estar tão de saco cheio quanto eu. Mas aí, foi uma queda mais significativa, mesmo porque, eu já era mais velha né? A dimensão de envolvimento e entrega é maior… E tem sido uma queda tão grande, que me resignei a pensar que não quero mais ‘’aquilo’’ pra mim. Estava naquela fase em que a gente fala que não vai mais ‘’mexer’’ com o amor. Boba ilusão… Tentando convencer o mundo e a mim mesma que sou mais feliz sem ninguém e que quero continuar assim. Não é verdade!

Quero ‘’aquilo’’ pra mim sim, mais e muito, só que eu quero um ‘’aquilo’’ diferente. É a ficha que me caiu hoje. Eu preciso de um ‘’aquilo’’ diferente. Meu medo se resume à situações específicas. Percebi hoje, que não tenho medo de amar não. Eu tenho medo é do que algumas pessoas fazem o amor virar. Mas amar é bão, Sebastião! E agora, eu resolvi, que quero é ser um par…

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Vodka X Vinho

A idade não tem me deixado mais brincar com destilado não. Os 30 não permitem… Bons tempos (ou não né? Kkk) em que eu saía, misturava bebidas, podia me jogar na tequila, e acordava pronta pra próxima após um gatorade e um banho. Uma amiga uma vez me falou, que com o tempo, a gente para de ter ressaca, e passa a ficar doente. Não sei de onde saiu esse jargão, mas já virou dito popular entre os ‘’meus’’.

Hoje em dia, eu só consigo não morrer no dia seguinte quando bebo um espumante ou vinho. Mas já aprendi as devidas precauções também, que antes eram dispensáveis: não beber de estômago vazio, intercalar as taças com muita água e se possível, comer algo antes de dormir também. Não tem jeito: qualquer saída desse plano, quer dizer 2 dias de cama. Ou seja: bye bye José Cuervo! Vou guardar na memória nossas noites de muitas doses em cima do balcão do Deputa, rs…

Decidi terminar meu relacionamento com a vodka, deixar pra ter umas recaídas esporádicas com o whisky, e tentar firmar um compromisso com o vinho. Daí outro dia, deitada aqui na cama, ‘’doente’’, comecei a fazer um paralelo dessa mudança na minha vida. Cheguei à conclusão que essa parada de ficar enchendo a cara de destilado é coisa de gente inconseqüente. É o famoso dar PT (perda total) na balada. Você já começa a beber com o intuito de ficar ‘ruim’. O resultado são cenas desagradáveis (em particular ou em público mesmo), muita passada de mal, ressaca forte no dia seguinte. Sem falar em certas conseqüências morais pelas quais a gente não passa quando se está sóbrio. Posso afirmar com toda a firmeza do mundo, que se não fosse a vodka ou o Jack, eu não teria beijado e muito menos transado, com 70% dos caras que já fiz. A gente confunde o Open Bar com amor livre né? #preguiça

Daí agora que to nessa segunda tentativa de morar sozinha, tenho reunido uns amigos pra beber vinho e beliscar uns queijinhos e saladinhas, à volta da mesinha redonda com banquinhos. Não sei até que ponto o fato de já ter vivido muitos (melhores) anos na night belo horizontina tem culpa nesse cartório, mas a verdade é que ficar em casa cozinhando mesmo que for só pra mim mesma, tem sido muito mais gostoso do que sair. O que me salva é ter que ir tocar, daí acabo emendando os programas e evitado a reclusão total. Mas é isso: salvo poucas exceções, acho que ninguém em sã consciência para pra ficar bebendo vodka (com ou sem energético) por beber. Isso é drink de beber em pé. E eu tenho amado os de beber sentada… De preferência com companhias que você escolhe e convida, e não com paraquedista de pixta (ou de cama. Hahahaha)…