Morar ou vestir?

Esses dias recebi uma inbox de uma amiga, contando que saiu da casa dos pais, e me perguntando como tenho lidado com essa mudança, se eu acho que gastar até o ultimo real com aluguel e despesas tem valido à pena (já que nenhuma de nós duas tem ainda condição de financiar a compra de um imóvel próprio), e etc…

Realmente, não é um processo fácil. A gente abre mão do conforto de poder gastar grana com bobagem, mas como respondi pra ela, acho mais legal, hoje, do que gastar em sapato e roupa. Ideal seria gastar menos sempre, e fazer um pé de meia, mas isso é uma ficha que só tem me caído agora, DEPOIS que saí da casa da mãe. Estou amargando o ‘’se’’ na minha vida: SE eu não tivesse esbanjado tanto nos últimos 2 anos, SE eu tivesse me planejado pra mudar tranqüila no quesito financeiro… Mas viver no arrependimento só, também, não leva a lugar nenhum. O negócio é o ‘daqui pra frente’.

Como eu já escrevi em outros textos, minha família é simples. Nunca sobrou dinheiro. Fui me arranjando desde nova com os meus trabalhinhos, mas sempre bem apertada também. O que me salva há anos, é conhecer todo mundo de todos os lugares e nunca gastar com entrada e/ou bebidas. Talvez se eu tivesse que pagar como as outras pessoas, não teria saído tanto na vida. A ocasião no meu caso, fez o ladrão demais.

Aí, de pouco mais de 2 anos pra cá, veio uma folga. Comecei a ter dinheiro pra poder comprar as coisas sem precisar pensar duas vezes. E gastei sem remorso. Falando assim até parece que foi uma fortuna, ou que comprei coisas caríssimas. Nem é, se comparado com o que muita gente com quem convivo tem e pode gastar. Mas se formos tomar pelo poder de consumo no qual cresci, era muito mesmo. Uma melhora considerável…

E a vontade de sair de casa só veio bem depois, de muitos sapatos e acessórios… Comecei a montar enxoval tarde… E há 4 meses, vim. Voltar a ter que fazer conta na ponta do lápis pra saber se posso ou não comprar um anel de R$ 50 reais é meio chato depois que você acostuma a nem pensar nisso. Hoje os mesmos R$ 50 são uma comprinha de supermercado… Das tantas idas mensais ao Super Nosso, rs… Mas não há sensação melhor que a de abrir a porta de casa e saber exatamente como e onde as coisas estão, saber que não vai ter mais ninguém fazendo barulho ou bagunça, que se eu resolver tomar banho e sair às 2h da manhã, não preciso preocupar em acordar ninguém e muito menos lidar com olhar reprovador de mãe achando ruim porque não vou ficar em casa. Sem falar na privacidade né? De andar vestida (ou não) do jeito que eu quiser, chamar amigo pra beber vinho segunda feira até a hora que der na telha…

E o mais importante de tudo, que é a parte que estou amando mais que todas: não ter aquela urgência de sair quase todo dia, sem hora pra voltar, que a gente sente quando mora com família. Necessidade de dar uma fugida nem que seja uma passeadinha na #savassidadepre. É gostoso demais curtir estar sozinha, curtir o seu espaço, as suas coisas, o seu tempo. Isso realmente não tem preço. Alías, tem sim: todos aqueles sapatos que eu não posso mais comprar. Mas eu já tenho muitos aqui, hoje prefiro morar do que vestir!!!

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Notas e Letras

Não me peça pra crescer. Declarar imposto de renda. Saber taxa de banco. Tarifa telefônica. Nunca fui uma pessoa de números. Gosto do dinheiro. Mas jamais vou viver pra ele. Não suporto quando peço informação sobre alguém e já me soltam se a pessoa tem muito ou pouco. Isso nunca foi pré requisito para que eu gostasse ou não de ninguém. De fato, acho que algumas pessoas que eu conheço seriam melhores seres humanos se tivessem menos dele…
Eu sou uma pessoa de notas. Não cédulas. Notas. Musicais. E letras. Muitas letras. Não dou certo com quem não saca as coisas que eu escrevo ou as músicas que toco. Porque em ambos os casos, o que está por trás é outra coisa: o sentimento. E eu sinto. Sinto tudo, e sinto muito.
Sinto, e gosto de fazer sentir. Com o teclado ou apertando o play. Não fico à vontade quando se referem à mim como Dj (da mesma forma que não ficarei se alguém um dia me chamar de escritora) mas faço uso dessa denominação porque é como as pessoas me acham se precisam me contratar. Só isso.
O que me importa mesmo, mais do que fazer uma passagem perfeita de duas músicas, é se as pessoas vão se emocionar quando a próxima entrar. Se a construção de uma frase não ficou tão perfeita como poderia, mas o texto fez alguém parar o que estava fazendo pra me mandar um elogio, já valeu o esforço.
Gosto de morar na Terra do Nunca e de ter meu fuso horário próprio. Sou feliz assim, funciono assim. Já passei da fase de tentar me enganar que eu preciso ser ‘’normal’’ e me enquadrar num padrão que não consigo seguir. Não tenho talento pra seguir rotina alheia, só à minha mesmo…
Graças à Deus consigo hoje, pagar minhas contas trabalhando com o que eu amo, sei que isso é uma bênção alcançada por poucos. Acho que passaria aperto se tivesse que fazer alguma coisa que não gosto em troca de um salário. Já fui má funcionária em algumas ocasiões justamente por isso e acho uma pena que pra alguns ex patrões eu tenha causado a impressão de não ser competente. Era só ‘desinteresse’…
Resumo da ópera: a gente vale mesmo é pelo que é, e não pelo que tem. Clichêzão mais ‘’true’’ da vida. E a nota que eu mais tenho usado é ‘’dó’’: de quem não aprendeu isso até hoje…

Dia dos Namorados

 

É. Dia dos namorados taí mais uma vez. Mais uma data cretina que a gente tem que engolir… Fazer o quê? Tempo de ver a galera que namora babar ovo de namorado, e quem não namora afirmar que aaaama ser solteiro. Acho engraçado. Ninguém aaaama ser sozinho. A gente só aprende a viver assim. Se acostuma, se conforma. Da mesma forma como nem todo mundo que tem um par está 100% satisfeito com a atual situação. Muita gente empurra relacionamento falido com a barriga porque tem medo de ficar sozinho. Muita gente nem sabe o que é ficar sozinho.

Eu não aaaaaamo ser solteira não. Essa fase já passou, de achar que ”eu não preciso de ninguém pra ser feliz”. Todo mundo precisa. Mas não é uma busca fácil, pelo menos pra quem não se contenta com qualquer achado. Então eu apenas estou curtindo a minha fase solteira. Mas ela não é melhor ou pior que a ‘casada’. São diferentes e igualmente necessárias pro amadurecimento emocional de todo mundo.

Vou passar o dia dos namorados como tem sido nos últimos anos: trabalhando. O meu signo namora com os projetos pessoais mesmo. Quem se envolve com capricornianos deve saber de início, que jamais será a prioridade numero um. E se conformar com o fato de que, na ‘’nossa’’ cabeça, isso não é nada demais… Nunca dei certo com mocinhos que não entendiam eu trabalhar na noite e ter que fazer social com metade das pessoas cada vez que entro num lugar. Os que exigiram mudança, mudaram foi o status: de gente que eu fazia questão, pra gente que eu não quero ver nem pintada de ouro.

E é assim: claro, que quando a gente se apaixona, abre um espacinho a mais, desde que a pessoa se mostre merecedora de tal. Da mesma forma que prezamos uma boa politicagem e networking, a gente gosta de agradar. E isso se estende à quem escolhemos pra andar de mão dada também. Mas a mão agora, está ocupada só com o stop/play/curtir/comentar, rs.

Minha árvore…

‘’Minha árvore’’ foi derrubada! A Art Vídeo, assim como tantas outras casas maravilhosas que fizeram parte da história das ruas de BH, jaz. Viraram ou estão no processo de virar prédios enormes e rentáveis. Capitalismo né? Progresso, dizem alguns por aí quando ensaio uma reclamação. Mas eu reclamo sim!

Os ícones da minha inocência estão sendo demolidos aos poucos. Virando obras caras de um presente ordinário e sem memória. O legal hoje é se vender, e ponto. Não concordo! Não aceito. Não entendo.

Sou old fashioned, por mais moderninha que possa parecer, pra quem só me olha desfilar por ái vestida e tatuada como ‘’manda’’ a moda hoje em dia. Meus valores são de ontem. Torci pra Maria, mas lá no fundo acho um absurdo essa mídia que vangloria as Brunas Surfistinhas da vida. Entretenho os ricos e dou uma zuada de leve nos pobres, mas quem eu valorizo mesmo são os que ralam, dia e noite, em 2, 3 empregos diferentes, pra se pá, conseguir não passar fome no final do mês. Das patricinhas com expressão eterna de tédio, perdidas dentro dos camarotes, com o vestido que custa 2 salários mínimos, mas não paga o sorriso pra fora do espelho de casa, quando se imaginam cobiçadas e invejadas na tal pista da qual desdenham com antipatia e se negam a pisar a não ser no caminho da área VIP (zzzzzzzzz), tenho uma dó que beira o desprezo. Gosto mesmo é dos seguranças! Das caixas, de quem está dentro do bar. Por mais que o álcool as vezes me impeça de interagir com esses, são os donos da minha admiração. SEMPRE!

No final das ‘’contas’’, sou do time da minha psicóloga: as coisas mais caras que a gente paga na vida, não são com dinheiro. E por isso choro pelas minhas árvores podadas. Choro pelas decepções dessa vida bandida. Choro por ter que me conformar com um progresso com o qual não concordo. Pelas amizades que vão murchando no meio de cada nosso caminho. Pelos amores que somos obrigados a sufocar no peito. Pelas palavras que não podemos pronunciar fora do divã. Choro porque gostava de sentar no quintal pra ver o vento brincar nos galhos dela. Choro porque essa paz não existe mais, e a perspectiva de reencontra-la vai ficando cada vez menor, em meio a tantas obras desse viver sofrido…