Minha árvore…

‘’Minha árvore’’ foi derrubada! A Art Vídeo, assim como tantas outras casas maravilhosas que fizeram parte da história das ruas de BH, jaz. Viraram ou estão no processo de virar prédios enormes e rentáveis. Capitalismo né? Progresso, dizem alguns por aí quando ensaio uma reclamação. Mas eu reclamo sim!

Os ícones da minha inocência estão sendo demolidos aos poucos. Virando obras caras de um presente ordinário e sem memória. O legal hoje é se vender, e ponto. Não concordo! Não aceito. Não entendo.

Sou old fashioned, por mais moderninha que possa parecer, pra quem só me olha desfilar por ái vestida e tatuada como ‘’manda’’ a moda hoje em dia. Meus valores são de ontem. Torci pra Maria, mas lá no fundo acho um absurdo essa mídia que vangloria as Brunas Surfistinhas da vida. Entretenho os ricos e dou uma zuada de leve nos pobres, mas quem eu valorizo mesmo são os que ralam, dia e noite, em 2, 3 empregos diferentes, pra se pá, conseguir não passar fome no final do mês. Das patricinhas com expressão eterna de tédio, perdidas dentro dos camarotes, com o vestido que custa 2 salários mínimos, mas não paga o sorriso pra fora do espelho de casa, quando se imaginam cobiçadas e invejadas na tal pista da qual desdenham com antipatia e se negam a pisar a não ser no caminho da área VIP (zzzzzzzzz), tenho uma dó que beira o desprezo. Gosto mesmo é dos seguranças! Das caixas, de quem está dentro do bar. Por mais que o álcool as vezes me impeça de interagir com esses, são os donos da minha admiração. SEMPRE!

No final das ‘’contas’’, sou do time da minha psicóloga: as coisas mais caras que a gente paga na vida, não são com dinheiro. E por isso choro pelas minhas árvores podadas. Choro pelas decepções dessa vida bandida. Choro por ter que me conformar com um progresso com o qual não concordo. Pelas amizades que vão murchando no meio de cada nosso caminho. Pelos amores que somos obrigados a sufocar no peito. Pelas palavras que não podemos pronunciar fora do divã. Choro porque gostava de sentar no quintal pra ver o vento brincar nos galhos dela. Choro porque essa paz não existe mais, e a perspectiva de reencontra-la vai ficando cada vez menor, em meio a tantas obras desse viver sofrido…

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2 Respostas para “Minha árvore…

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