Fuso horário próprio

Vivo um momento de aceitação. Há anos eu caía naquela história de achar que o que o ‘’mundo’’ me cobrava era o certo, e  eu insistia no errado. Essa é uma das preciosas fichas que a terapia fez cair. Não sou certa, e muito menos errada: sou diferente!

Lembro de mim, novinha de 5 ou 6 anos, lá na casa da Rio Doce, ficando acordada até mais tarde, escondida da minha mãe, pra comer a batatinha frita que meu pai fazia. Não sei dizer se esse era um hábito corriqueiro, ou se foi só dessa vez, mas o fato é que ficou marcado na minha memória, assim como muitas coisas daquela época. Acho que tenho mais recordações desse tempo do que dos meus 8, 9 e 10 anos… Essa mania, de querer dormir ‘mais tarde’, se estendeu pra sempre. Em Maceío, todo mundo do prédio tinha que parar de brincar e ir pra casa às 22h. Eu achava um saco, e morria de raiva das mães das amiguinhas, rs.

E sempre fui notívaga. Sempre gostei mais da noite do que do dia. No escuro, sinto um bem estar que é difícil de descrever pros outros. É como se à noite, os problemas não importassem tanto. Sinto que o mundo fica mais ‘longe’, por estarem (quase) todos dormindo, e o que sobra dele pra mim são as minhas tão amadas luzes no horizonte. Amo a vista noturna da cidade! Quero morar lá em cima de um prédio bem alto e com uma vista incrível de metrópole. Essa parada de envelhecer e querer morar no meio do mato nunca fez a minha mesmo… Eu gosto da ‘’bagunça’’, de vista, de trânsito, de asfalto! Mas tem que ser lá, bem alto, porque eu adoro sentar na janela.

Aí, a vida me encaminhou pros trabalhos noturnos também. Nunca foi algo que planejei, assim como todo o resto dela. Aconteceu, e eu nunca mais parei. Meus hábitos foram ‘entortando’ cada vez mais. Não sei dizer quando é que comecei exatamente a trocar o dia pela noite, mas sempre me senti quase totalmente feliz assim. Não era totalmente, porque me rendia às cobranças externas de gente que acha que viver desse jeito faz mal. E me torturava. Sentia uma culpa enorme. Fingia que queria mudar isso. Mas todas as vezes que tentei, não gostei.

Eu realmente sou inversa. O dia, a claridade, o Sol, ver o mundo inteiro funcionando no mesmo horário e na mesma rotina, me deprimem. Eu não gosto de almoçar. Meu apetite me invade é de noite. Prefiro jantar. Gosto de fazer comida na madrugada, meu ânimo é outro. Só não dou faxina aqui, em respeito à vizinhança, hehe. Todas as tarefas que eu enrolo o dia todo pra fazer, eu faço à noite na maior disposição. Seja doméstica ou profissional. Pena que não pra fazer todas, porque infelizmente, o resto da galera trabalha no horário normal e as vezes preciso me adaptar aos horários dos outros mesmo. Faz parte.

Mas é isso: já tem um tempinho, que venho firmando esse pensamento na minha cabeça sabe? Se eu tolero os horários e as rotinas de todo mundo, por que eles não podem tolerar os meus? Cansei de gente me enchendo o saco porque  ‘’nossa, você acordou agora????? Dormiu o dia todo???? Vai comer carne agora?????’’… SIM!!! Acordei agora (de tarde) sim!!!!! Fui dormir 6h da manha mesmo!!! Eu janto 2h da madruga!!!! Eu fico reclamo de quem dorme às 22h? Acorda 7h? Almoça meio dia? Cada um funciona de um jeito. Como eu costumo dizer: eu não tenho insônia, e sim um fuso horário próprio. Parei de me sentir culpada, e graças à Deus, que o numero de gente com hábitos parecidos estar aumentado consideravelmente! Pra minha felicidade plena, só falta agora um Verde Mar 24h mesmo.

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2 Respostas para “Fuso horário próprio

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