As feridas e o castelo

Sim, eu tenho feridas abertas mesmo, quem acompanha percebe claramente e não faço o menor segredo delas…

Talvez as cutuque demais, impedindo a cicatrização, mas funciono assim: a mágoa me impulsiona. Lembrar de como cada uma surgiu me impede de repeti-las. E assim vou, aumentando o meu muro e esquecendo de construir a tal ponte que as pessoas dizem ser necessária. Prefiro a reclusão do que ter que seguir convivendo com o medíocre e repetindo o padrão de atos que já aprendi, só levam à rua amarga do arrependimento. E esse arrependimento só não é maior, porque aprendi também, com cada queda, que os erros e decepções moldam quem sou hoje. Se tenho princípios tão fortes, a ‘’culpa’’ é de todos os fracos que já tentaram me invadir. Uns três ou quatro realmente conseguiram, mas partiram ou foram expulsos com tanta destreza, que deixaram pra trás tijolos maiores com os quais vou construindo o meu forte.

As vezes me sinto azeda demais, descrente demais, e sei que transmito isso pra quem conhece de perto, ou acabo afastando mais rápido uns que tentam se aproximar, mas já não sei ser diferente disso. E não o quero. Desaprender as lições pra agradar ou permitir acesso a quem não agüenta lidar com as verdades que carrego. Não vou fingir que engulo as suas mentiras só para poder te dar o privilégio da minha presença. Não é fácil, trilhar esse caminho, e só eu sei o preço que pago. Gasto quase tudo o que tenho pra manter essas convicções, e não sei até hoje o que é (me) poupar. Ainda me sinto meio devedora do último que partiu (ou foi expulso, vai saber…), mas ao mesmo tempo não quero quitar a dívida. Quando você deixa totalmente de admirar alguém, não faz sentido tentar agradá-lo, seja da forma que for. O foco agora é terminar de construir meu castelo. Com muros altos, e espessos. E não mais permitir as tentativas de intromissão de quem não me serve mais…

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