Eu sou Sininho!!!

Pequenina, me vestia de mulher-maravilha nas festinhas de aniversário no quintal de casa. E tinha mania de usar as roupas e acessórios da minha mãe. Nunca tive vergonha de ousar. Na verdade, gostava de ser diferente, chamar atenção onde quer que fosse. A rua que eu morava terminava numa favela, e eu dividia as brincadeiras entre as louras ricas dos lados, e a Arminda do morro, que me lembro até de subir pra brincar quando ela não podia descer lá em casa. Lá pros 6, 7 anos, desenvolvi a mania de fazer festinha pras bonecas. Era um bolo por dia. Sim, eu fazia bolo, de chocolate, já nessa idade. Montava escolinha na garagem e sentava a vizinhança toda pra dar aula. Passava para-casa e botava de castigo os que não faziam. De vez em quando, montava barraquinhas na porta da garagem na Rio Doce: vendia pipoca, limonada e algumas bugigangas que comprava na vendinha do bairro. Na minha época, a gente tinha aqueles vinis coloridos de historinhas. Eu decorava, e improvisava um teatrinho. Pluft O Fantasminha Camarada marcou uma era e me lembro de partes do diálogo até hoje. Ou dançava Flashdance. Em Maceió, já com 10 anos, improvisávamos desfiles, ouvindo Pet Shop Boys. Acho que influência de Top Model mesmo… Eu gravava clipe imaginário no quarto ouvindo as baladinhas que eram sucesso então. A imaginação sempre foi fértil e a veia artística já pulsava forte. Arrisquei jogar tênis, mas gostava mesmo era das aulas de dança moderna da Tia Paula. Amava dia de apresentação no colégio. Uma pena não ter nada disso documentado.

Aí voltamos pra BH e entrei numa fase nerd. Sentava na 1ª fileira e morria de raiva dos bagunceiros do fundão. Fui monitora de 1ª comunhão, acompanhava as turmas mais novas nas excursões do padreco à Serra da Piedade. Detestava educação física porque sempre fui a menorzinha e ninguém nunca me escolhia pros times. Mas sempre gostei de mandar, rs… Caí de paraquedas numa excursão pro Xou da Xuxa, e voltei fissurada. Queria ser Paquita. Treinava todas as coreografias e cheguei até a mandar fotinho pra seleção. Mas me apaixonei perdidamente por um dos mais bagunceiros do colégio e comecei a ouvir Pink Floyd pra tentar enturmar. Foi quando descobri a ‘’rua’’. E graças a Deus eu já morava na Savassi. Era uma mistura de hippie com grunge, não sei dizer ao certo. Fiz dança do ventre e tentei voltar pro Tenis, mas nada rendeu mais que uns meses. Mudei pro Promove e lá, a paixão transferiu pro skatista mais pegador,  porra louca e famosinho do colégio. Mulheres… Mudou o estilo tooodo de novo. Sonhava com os vampiros de Anne Rice, escrevia poemas sombrios, descobri Sisters of Mercy e abracei o meu lado deprê. Mas eu gostava. Combinou com o período conturbado em casa.

Da Savassi fui cair na Escape, descobri boate. Tinha 17 anos e fui trabalhar numa campanha política que nem lembro mais de qual candidato era, pra poder pagar a entrada no fim de semana. Ia tanto, que me chamaram pra ser promoter da casa. Muda tudo de novo. Lá me apelidaram de Sininho,que nasceu meio clubber, e foram uns meses de muitas descobertas. Inclusive a da moda (Jotta Sybbalena e Martielo Toledo pra sempre!). O Mercado Mundo Mix virou febre, e lá fui eu pra equipe de divulgação. Nunca parei pra pensar em faculdade, fui me virando com esses bicos e me sentia bem assim. Minha rotina diária era ir pro Seu Cabelo e conviver com aqueles tantos credos diferentes que ‘moravam’ lá assim como eu… Só fazia coisas que amava, como tem sido até hoje. Caí debaixo da asa do Marent e aí foi uma sucessão de festas e eventos. Acho que passei pela abertura e fechamento de quase todas as casas importantes da noite belo-horizontina de 16 anos pra cá…

Com o 1º namoro de verdade, dei um tempo de night e fui ser garçonete no Café com Letras, Café Tina e num restaurantezinho árabe na entrada do Morro do Chapéu. Juro que tentei fazer a faculdade (Jornalismo), mas era de manhã, na Fumec: acho que nem preciso contar que não passou nem do 1º período (1º período que eu falo é 1º bimestre, hahaha). A Colcci era novidade, e como não poderia deixar de ser, viciei nas roupas, mudei o estilo todo de novo. E fui tão cliente que me colocaram na equipe da primeira loja, que inaugurou junto com o Pátio Savassi. Eu estava lá também! Mas no segundo mês de loja, veio o término do namoro e a depressão/desilusão que faz parte nessas horas. Chutei tudo e fui passar um mês na Bahia. Melhor coisa a se fazer. Fica a dica: terminou e quer morrer? Viaje! (se puder, claro…). Voltei outra pessoa, e pro Café Tina e eventos outra vez. Fazendo um bico na festa de 25 anos do Bh Shopping, recebi o convite pra ser Hostess da naSala. Mais um mundo novo pra desbravar. E guardo excelentes memórias dessa era. Aqui no blog tem texto disso também. E aí vieram MP5, Pulp, o bar do Deputa, dividindo as ressacas com as sessões de bmx do namorado de então, pelas ainda poucas pistas que a cidade oferece… Até um grande e saudoso amigo que partilhava do mesmo gosto musical me chamar pra tocar numa festa, o que gerou a bola de neve na qual me encontro hoje. Difícil demais resumir pedaços da história pra explicar porque sou tantas, em uma só. E imaginar que estou apenas na metade do caminho, ou assim espero né? E por isso que eu falo, que não sou Dj: só estou tocando. Vamos ver até quando essa fase dura e quanto mais de Bh vai fazer parte de mim, e vice versa…

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