Falta.

Eu tenho uma enorme dificuldade em esquecer. Mas ao mesmo tempo, uma enorme capacidade de fingir. As vezes, enterro tão fundo, que quase acredito realmente não sentir mais. Mas sinto. Sinto muito.

Preciso aprender o tal desapego. Fui adepta dele tanto tempo, mas de uns tempos pra cá, esqueci o que é isso. Tenho me apegado até bem mais do que seria saudável pra mim. E isso me consome tanto. Termino o dia exaurida.

Me sinto à beira. Igual quando eu era adolescente, e escrevia sobre desespero e angústia, imaginando meninas prestes a se lançarem de algum penhasco, por cima de mares agitados e revoltos, dentre ventos e nuvens cinzentas, chuva e choro… Como se minha alma estivesse querendo voltar pros dias sombrios. Que não sei ao certo se são de onde eu pertenço.

Me lembro de quando ouvia certas musicas, e realmente sentia, que meu coração tinha um buraco vazio enorme. E ao mesmo tempo, uma certeza, que nada nesse mundo, nunca, ia preenche-lo. Acho que eu era mais sábia quando menos vivida. A caminhada da vida me emburreceu, me enganou. Me fez talvez quase crer que buracos não existem. Ou que se existem, podem ser tampados. Não os meus…

E de repente assim, escrevendo palavras soltas numa madrugada qualquer, resgatei um algo que quase tinha sido enterrado. Não consigo mensurar a alegria que redescobrir minha genuína tristeza me causa, se é que alguém entende o que seja isso. Eu entendo, claramente! E agora acho que ficou mais fácil, lidar com esse luto que me faz parte da alma, desde que me entendo por gente. Sou ‘’feliz’’ na falta…

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3 Respostas para “Falta.

  1. Já dizia Drummond:

    “Por muito tempo achei que a ausência era falta.
    E lastimava, ignorante, a falta.
    Hoje não a lastimo.
    Não há falta na ausência.”

    Lindo o texto! Acho que é uma reflexão pela qual todos deviam passar. Também estou aprendendo a lidar com os meus “buracos” e a me convencer de que não é necessário “preenchê-los”.
    Existe uma tirinha que consegue exemplificar muito bem essa concepção: http://tinyurl.com/ao7z3w5.
    Infelizmente, não sei a autoria, mas fez muito sentido para mim em um momento específico da minha vida.

    Identifico-me muito com suas palavras! Parabéns pelo blog!

    Abraços,
    Bráulio Farnese

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